‘EMBARQando’ no TheCityFixBrasil

Registro do evento MobIT em Recife

Este ano de 2013 promete ! Por livre e expontânea vontade (risos) estou colaborando com o TheCityFixBrasil. A dinâmica dessa participação inclui a publicação de matérias vinculadas a mobilidade, sustentabilidade, entre outras coisas que afetam (direta ou indiretamente) a vida das pessoas nas cidades.

O TheCityFix Brasil é um recurso online para notícias de transporte sustentável, pesquisa e soluções de “melhores práticas” de cidades do mundo todo. (sobre)

Com isso, além do meu blog – que deve passar por umas mudanças de layout e estrutura (aguardem!) – vou publicar muitos outros posts no blog TheCityFixBrasil que, diga-se de passagem, foi eleito o melhor blog de Sustentabilidade 2012 na categoria ‘profissional’ conconrrendo com mais de 18 mil blogs de todo o país.

Posts até agora

Definitivamente entro em um circuito onde a colaboração é mais do que (meramente) publicar. Ela começa por (1) estar realmente imbuída com o espírito da sustentabilidade nas cidades, depois (2) entra no processo de mudança pessoal nas ações (simples) do cotidiano, (3) continua no âmbito da observação e participação em iniciativas e eventos nessa área e, por fim, (4) culmina na escrita e no registro – imparcial ou não – dos fatos que ocorrem a todo instante nas cidades.

Vamos em frente !

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BRT, Mobilidade e Segurança

Independente da sua eficácia, seja ela em um médio ou longo prazo, a adoção do modal BRT (Bus Rapid Transit) para transportes públicos vai muito mais além de sua operação e disponibilização para a população. Existe questões relacionadas a segurança na implantação desse sistema que pode colocar em cheque toda sua credibilidade.

Segundo estudo realizado pela EMBARQ, e publicado como diretrizes no planejamento viário com foco nos BRTs, vários são os fatores que contribuem para acidentes nos grandes corredores viários. Alguns deles são:

  • Pedestres correspondem a maioria das fatalidades ocorridas em todos os corredores de ônibus.
  • Segurança em sistemas BRT e corredores de ônibus depende da concepção global da via e não apenas da infraestrutura dos ônibus.

Esse documento é um manual completíssimo para um planejamento realmente eficaz na adoção de BRTs. Muitos detalhes são analisados, estudados e algumas soluções são propostas. Coisas como fórmula para calcular o atraso de pedestres para projetar corretamente as travessias em meio de quadra, infraestrutura para bicicletas e vegetação, uso de passarelas, dentre outros pontos são abordados em profundidade pelo documento.

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Com esse documento em mãos não tem como uma implantação de BRT em uma grande cidade não ser meticulosamente estudada e BEM projetada. Os riscos podem ser cuidadosamente analisados de maneira que os investimentos (altíssimos nessas mega intervenções) sejam aplicados assertivamente e sem desperdícios para gerações e gerações.

“Segurança Viária em Corredores de Ônibus, diretrizes para integrar segurança viária ao planejamento, projeto e operação de sistemas BRT, corredores e faixas de ônibus” é um documento cuja leitura é OBRIGATÓRIA para nossas secretarias de transportes e mobilidade urbana.

Recomendo !

Compartilhar a Rua é Preciso

Pedalando hoje no circuito Aurora/Recife Antigo percebi o quão despreparados os motoristas de carros e ônibus estão no compartilhamento das ruas do Recife.

Passamos por algumas situações tensas e de risco iminente de atropelamento e colisão. Ficaria muito tenso esse post se relatasse todas elas aqui :). Prefiro destacar alguns pontos importantes do no nosso código de trânsito:

  • Art. 58 – “… a via deve ser compartilhada …”;
  • Art. 29 § 2˚ – “… veículos maiores devem prezar pela segurança dos menores …”;
  • Art. 201 – “… distância mínima de 1,5m ao ultrapassar as bicicletas …”;
  • Art. 220 item XIII – “… diminuindo a velocidade ao fazer a ultrapassagem …”.

Bem, não precisa nem dizer que o compartilhamento da rua hoje foi extremamente difícil, os veículos com 10 vezes o nosso peso adotavam uma postura predadora, a distância praticada entre o retrovisor do carro e meu cotovelo era de apenas 20 centímetros e, por fim, carros e ônibus passavam a mais de 70 Km/h ao nosso lado. Saliento que não estávamos tão devagar. Pedalávamos entre 30 e 40 Km/h.

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A pergunta que não quer calar é: como será o dia a dia das pessoas que usarão as bicicletas compartilhas neste local?

Existem muitas medidas que a prefeitura da cidade do Recife pode e deve tomar, mas (talvez) a mais importante seja reduzir a velocidade de circulação dos carros.

Criar um ambiente de compartilhamento de bicicletas é tarefa fácil. Quero ver criar um ambiente de compartilhamento responsável das ruas nas grandes cidades.

Será que conseguimos isso por aqui? Vou fazer a minha parte. E você…vai fazer a sua?

O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 2

Tem de tudo no relatório da ADL sobre mobilidade urbana no mundo. Muitos dados, muitas análises e, sobretudo, muitas indicações de caminhos e descaminhos no futuro da mobilidade. Algumas correlações (relação entre variáveis) também são apontadas. Uma delas trata do uso da inovação na mobilidade e da eficácia e eficiência na mobilidade. Elas estão presentes – em uma determinada medida – nas cidades que ficaram entre as 10 primeiras na classificação final.

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As cidades Top 10 do ranking possuem um grande foco em: soluções implementadas para o uso de transporte público; andar a pé e de bicicleta; compartilhamento de bicicletas; além da diminuição do uso de veículos individuais motorizados. Tudo isso graças as estratégias por elas empregadas.

“They also have a coherent mobility strategy.”

Parece que a palavra de ordem é definitivamente PLANEJAMENTO. Mas este planejamento tem que vir associado com ações proativas no desafio da mobilidade urbana, explica o relatório.

No entanto, mesmo com todos os avanços em algumas cidades é interessante notar a percepção das pessoas sobre o assunto. As pessoas não estão plenamente satisfeitas, por exemplo, com o transporte urbano, ou seja, mesmo com notas altas em vários quesitos um sistema perfeito que envolva a mobilidade urbana ainda não existe.

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Outro ponto importante é sobre o quão grande a cidade é. Não existe uma relação (ou correlação) entre seu tamanho e seu índice de mobilidade. Ainda mais, replicar experiências das cidades grandes pode ocasionar, especialmente nas cidades (consideradas) emergentes, uma má distribuição modal, um alto nível na emissão de carbono e baixa velocidade nos deslocamentos. Incrível, não é ?!

Com isso percebe-se que a cópia de uma solução pode não ser a solução. A assertividade na implementação de ações passa pela adequação das soluções e, sobretudo, pelo combate a aversão da inovação no sistema da mobilidade urbana.

Sendo assim, as soluções passam por minimizar os 4 pontos principais de deficiência:

  • Falta de uma Plataforma de colaboração;
  • Ausência de Visão;
  • Falta de foco nas necessidades dos clientes;
  • Competição inadequada.

Vejam que o assunto é por demais complexo. No entanto, as soluções estão a priori disponíveis:

“Solutions to address the pressing mobility challenges are widely available.”

Quais são então os passos para alcançar o “sucesso” na questão da mobilidade urbana? Bem, comecemos por entender o real problema, seus impactos indiretos, os stakeholders e tudo mais que vc acha que não tem a ver com o assunto.

Aliás, quanto mais achamos que um assunto não tem ligação direta com a mobilidade é que, nestes casos, sua convergência em médio e longo prazo vão se tornar cada vez mais nítidos e relevantes no desenvolvimento (ou não) da mobilidade urbana.

No próximo post vamos abordar o tópico do relatório que trata das soluções e tecnologias que estão esperando (e clamando) por desenvolvimento. Aguardem!

Para ler o post anterior acesse O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 1.

Vou de Gôndola, e vc?

Nem de carro, nem de ônibus, vamos todos andar de gôndola no futuro. É isso mesmo! Esse meio de transporte já é uma realidade utilizada pontualmente nas cidades de Nova York e em  Portland nos Estados Unidos. Por aqui, tirando nosso bondinho do Pão de Açúcar, acredito que vá demorar “um pouquinho”.

O Aerial Gondolas ou Aerial Tram ou ainda Tramways, como pode ser chamado em inglês, resolve muitos dos problemas nas grandes cidades, uma vez que elas não tenham mais condições estruturais para aumentar sua malha viária. As gôndolas podem transportar até 100 pessoas e fazer em média 110 viagens por dia. Sem dúvida uma mão na roda (ou melhor, no cabo de aço) para locomoções diárias rápidas e com qualidade.

Alguns planos estão em curso para resolver o problema de mobilidade urbana nas grandes metrópoles. Em Austin (Texas), por exemplo, um projeto ambicioso (The Wire) pretende conectar a cidade através das gôndolas.

Fonte: Co.Design (http://www.fastcodesign.com/)

O autor do projeto, Michael McDaniel, justifica a viabilidade do projeto de uma maneira bem simples. Ele fala que sua ideia é criar mais uma “camada” de infraestrutura nas cidades mais antigas. Simples assim! Isso não é novidade, diz Michael. Inclusive já vivenciamos isso como a evolução do sistema de telefonia que utilizou a infraestrutura vigente para transmitir dados (DSL). Essa nova camada ficaria sobreposta ao sistema atual viário. Plenamente factível!

Veja que, mais uma vez, a solução para mobilidade urbana passa pelo uso de sistemas de transporte coletivo. Mas….e se tentássemos resolver com a carona? Será que o uso de carros híbridos compartilhados poderia ser também uma solução? O que vc acha? Gôndola ou carro?

Realmente não sei se o caminho é o uso do carro em algum tipo de solução alternativa. Tenho uma opinião BEM particular a respeito deste assunto. Aguarde os próximos posts!

O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 1

A empresa de consultoria Arthur D. Little (ADL) publicou um estudo sobre o status da mobilidade urbana em 66 cidades no mundo considerando 11 diferentes critérios. A cidade de São Paulo (posição 44 no ranking) junto com a Cidade do México (33º) e Buenos Aires (34º) foram as representantes latino-americanas neste estudo. Hong Kong lidera a lista dos Top 10 deixando para trás Amsterdã, Londres, Estocolmo, Paris, Boston e outras.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

Os critérios foram divididos em dois grandes grupos: mobility maturity e mobility performance. Através dos itens contidos em cada grupo é muito interessante perceber a vasta dimensão que a mobilidade urbana possui. Ela realmente vai de A à Z, desde identificar se as políticas públicas possuem uma visão clara e uma estratégia bem definida para enfrentar o problema da mobilidade nas cidades, até avaliar o número de bicicletas compartilhadas ou mesmo a taxa de acidentes fatais no trânsito.

Justificativas e motivações não faltam para esse estudo. Talvez o de maior importância seja o crescimento da população mundial. Estima-se que em 2050 teremos 70% da população concentrada na zona urbana. Algumas tendências apontam que nesta mesma década os cidadãos americanos passarão cerca de 100 horas do ano em engarrafamentos. Só para você ter uma ideia, esse valor é três vezes maior do que o valor médio da década de 90.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

Por este e outros motivos, segundo o estudo, o investimento anual em mobilidade urbana precisa quadruplicar para algo em torno de 829 bilhões de euros segundo as necessidades identificadas.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

O estudo não aponta um determinado vilão, mas identifica que a sustentabilidade será peça chave nos sistemas de mobilidade urbana em função do aumento da demanda no consumo por energia e matéria-prima. Os sistemas de mobilidade urbana, portanto, precisam ser reprojetados e isto significa que:

(…) environmentally friendly mass transit must win out over individual motorized transport.

A sustentabilidade, portanto, precisa ser trabalhada considerando três fundamentais dimensões: pessoas; planeta; e deve ser considerado o lucro. Tais dimensões trabalhando em conjunto gerariam benefícios como:

  • Criação de negócios com compatibilidade ambiental;
  • Criação de comunidades sustentáveis e com alta qualidade de vida; e
  • Investimentos sociais e promoção da equidade no sistema econômico.

Duro acreditar nisso, não é mesmo?! Mas os números do estudo não mentem!

Nos próximos posts irei focar em alguns gráficos interessantes e reveladores deste estudo e tentarei traçar algumas correlações. Desta maneira tentarei entender, junto com você, alguns intrigantes valores da mobilidade urbana em algumas cidades ao redor do mundo.

Até lá!

Ação de curto prazo. Mudança de longo prazo

Fiquei intrigado com o subtítulo do material “Tactical Urbanism“. Ao mesmo tempo em que é simples, ele traz consigo uma verdade que por vezes duvidamos da sua eficácia.

Short-term Action || Long-term Change

Em uma tradução livre poderia ser: “Ação de curto prazo || Mudança de longo prazo”. Muito interessante pensar que mudanças provocadas e realizadas em pequenas escalas vão surtir efeitos duradouros. Pura verdade!

tac·ti·cal
1. of or relating to small-scale actions serving a larger purpose
2. adroit in planning or maneuvering to accomplish a purpose

Segundo a publicação, as transformações em grande escala – como a construção de estádios, por exemplo – vão consumir muito investimento de tempo bem como uma profunda reserva de capital político, social e fiscal. Nesta linha de raciocínio não é difícil perceber que, no longo prazo, não temos como garantir que economicamente e socialmente teremos benefícios. Alguém conhece o legado dos jogos Pan-Americanos de 2007 realizados no Rio de Janeiro?

Por outro lado mudanças em pequena escala revelam abordagens que permitem que iniciativas locais testem novos conceitos antes mesmo de fazer mudanças políticas substanciais e comprometer-se financeiramente. Será que funciona?

As táticas publicadas são simples, vão desde criar espaços seguros (play streets) para encontro das pessoas até recuperar (no sentido do resgate mesmo!) ambientes dedicados aos automóveis em um determinado dia da semana (park [ing] day).

A street temporarily transformed.
Credit: Art Monaco Portland via my.parkingday.org

Acredito que não estamos preparados para nenhuma das duas abordagens. Para a primeira abordagem – dos altos investimentos e mega construções e eventos – vamos ter a prova de fogo com a copa do mundo. Quanto à segunda, aparentemente simples, o problema é (basicamente) a mudança de uma cultura inteira. Aí reside a dificuldade!

Por isso que (volto a dizer) essa mudança tem que ser de dentro para fora (primeiramente em você), depois ela deve seguir num raio de 360º (familiares, pares e amigos próximos) e, por fim, ações organizadas governamentais (ou não) com investimentos atrelados.

Fazer é fácil. Fazer coisas simples, mais fácil ainda!