Leio, logo escrevo

Decidi assumir minha parcela de responsabilidade em um problema que eu sei que é muito maior do que minha sala de aula. Preciso lecionar de uma maneira tal que obrigue (e oriente) de alguma maneira o aluno na produção de textos acadêmicos (artigos, projetos, resumos, monografias, etc).

Não vou filosofar sobre o ato de escrever, formas, regras (ABNT, ou não) ou focar em pontos sócio-educacionais. Não! Meu foco é chamar a atenção para o seguinte problema nas salas de aula: o aluno (definitivamente) NÃO sabe escrever. Pior ainda, ele nem sequer sabe fazer anotações (relevantes) durante uma aula. Documentar um projeto de pesquisa então…esqueça ! Uma monografia…nem pensar !!!!

Para mudar tal cenário (em alguma medida) a dinâmica da aula PRECISA mudar. Como?!?

  • Exija caderno. Incrível como em uma sala de aula a quantidade de alunos que nem sequer trazem canetas.
  • Escreva no quadro. Ainda que o uso de slides seja uma boa ferramenta, uma aula com anotações (organizadas) feitas na hora (in realtime) no quadro não tem preco.
  • Verifique o que estão anotando. Ande pela sala, olhe os cadernos e avalie a qualidade das anotações.
  • Faça perguntas abertas (discursivas) na avaliação. A prova não precisa ser toda feita de questões abertas, mas uma ou duas vale a pena. Uma dica válida também é deixar um espaço pré-definido com linhas para a escrita da resposta. Força a organização.
  • Faça a prova no formato de REDAÇÃO de vestibular. Isso mesmo! Coloque duas ou três questões centrais para o desenvolvimento numa redação dissertativa. Cobre estrutura (introdução, desenvolvimento e conclusão).
  • Passe artigos técnicos para leitura. Os alunos tem que ter contato com publicações científicas o quanto antes na faculdade. Mais do que entender 100% do que o artigo aborda, deve ser trabalhado também a questão da maneira como se escreve o artigo do ponto de vista de estrutura e forma.
  • Cobre resumo de algum conteúdo. Aqui você conseguirá fazer com que os alunos pratiquem sua capacidade de redigir.
  • Incentive a leitura de livros (menos técnicos). Nada de “Aprenda X em 21 dias” ou “Programação em X”. Existem livros dentro da Ciência da Computação que não são no estilo How-To. Somente para citar alguns (obrigatórios): Peopleware e The Pragmatic Programmer.

Definitivamente não existe fórmula para aprender a escrever. Mais uma coisa é certa: se o aluno nunca escreve, só responde X ou respostas curtas, nunca vai conseguir desenvolver tal habilidade. Ele vai sofrer primeiramente durante a construção do seu TCC, depois produzindo um relatório no emprego ou mesmo um e-mail com o status de suas atividades. Vai ser um desastre!!

Como disse, precisamos mudar este cenário. Já estou fazendo muitas das dicas acima. A redação foi uma delas. Mais do que um resultado negativo – enquanto avaliação de unidade – o mais importante foi os alunos cairem em si do quanto eles NÃO sabem escrever.

Missão cumprida! Só resta aos alunos agora estudar para a próxima prova ;) .

TCC: Terminando Com Conteúdo

No último dia 16, uma segunda-feira, junto com a Professora Miriam Albuquerque, conduzi uma palestra/conversa para alunos da FG sobre o desenvolvimento de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Foi muito interessante a dobradinha que fizemos tratando da razão/justificativa social de um TCC até a visão de que uma monografia-projeto bem desenvolvida é um belo cartão de visita para o mercado de trabalho.

Pra simplificar bastante toda nossa conversa, gosto sempre de mostrar o diagrama abaixo. Com ele sempre questiono e provoco todos a pensar sobre seu real motivo para fazer (e terminar) seu TCC. Encontrando-o, então é hora de suar (trabalhar). Por fim: mostre seus resultados! Resultados mesmo: se você implementou algo, rode o software! Se vc comparou algo, mostre a análise-comparativa! Agora pelo amor de Deus, mostrar que fez um estudo…tenha santa paciência!

Quem foi, foi!! Quem não foi…perdeu, mesmo!

Mas querendo conversar sobre minhas teorias extremamente práticas e objetivas sobre o que se esperar de uma monografia de um aluno de Ciência da Computação, é só me parar nos corredores da FG ou mesmo entrar em contato comigo.

Correndo por fora

Já se passaram 5 anos da primeira turma que assumi como professor de faculdade. Algumas coisas mudaram pra pior outras para melhor. No entando, existe uma terceira classe de coisas que permanecem no mesmo jeito: os alunos. Acredito que desde que o mundo é mundo o aluno vai ter sempre postura de aluno, ou seja, desinteressado pela formação e correndo atrás da formatura. Uma pena!

Mas existem os que se salvam – não são muitos – mas são genuinamente engajados no processo de aprender sempre. Estes estão a todo momento buscando mais informações, mais livros, mais respostas. Estes estão sempre com um leque de novas perguntas. Para esta classe de alunos costumo dizer que estão correndo por fora. Não esperam o professor ou mesmo a faculdade. Não esperam listas de execícios. Eles trazem os problemas do seu dia-a-dia para serem resolvidos na sala de aula. E vejam, não se trata do aluno saber mais do que o outro pq tem um pouco mais de experiência. Trata-se de querer aprender, buscar conteúdo e suar bastante!

Na última quinta, 16, ligado na rádio CBN escutei Max Gehringer e ele dizia:

… enxergar a faculdade como um aprendizado que vai muito além das horas passadas na sala de aula …

Será que é tão difícil entender isso?! Acorda galera!

Aluno sabido! :)

Falando sobre Dispositivos Móveis

Na última quinta-feira (17), tive a oportunidade de conversar com os alunos da FBV sobre Desenvolvimento para Dispositivos Móveis. Mais do que ensinar esta ou aquela tecnologia, o objetivo principal foi mostrar aos alunos (ávidos por informação) diferentes tipos de possibilidades para enveredar na área de desenvolvimento para palms, celulares, etc.

Como toda palestra de novas tecnologias (neste formato de conversa) tento sempre plantar a semente (no mínimo) da curiosidade. Acredito ter alcançado o objetivo dado que o brilho em alguns olhos eram evidentes, a atenção era constante, a interação (com contribuições) era constante e, sobretudo, todos permaneceram sentados até o final. Este fato é um excelente termômetro para constatar o nível de interesse da platéia.

Antes de terminar gostaria de agradecer ao colega e professor Gibeon Aquino.

Até o próximo convite! :)

Aprendendo a Aprender

Dois dias antes de iniciar minhas atividades como professor (da FG), achei um diagrama (no livro que Estou Lendo) que trata do Processo de Aprendizagem. No contexto deste livro, a aprendizagem é voltada para pessoas que atuam na área de vendas. No entanto, achei muito oportuno iniciar a primeira aula falando exatamente disso: APRENDIZAGEM.

Fiz alguns ajustes no modelo (originalmente proposto pelo livro) e o adaptei para minha realidade/aula.

aprendendo-a-aprender.GIFNeste processo de “Aprendendo a Aprender” cinco estágios são definidos (click na figura para ampliá-la): ignora; a par; confusão; conhecimento; e sabedoria.

  • Ignora. Neste estágio nos encontramos no estágio da ignorância. Não sabemos o que não sabemos. Uma frase atribuída a Socrátes retrata bem esta fase: “Só sei que nada sei”. É comum que nesta fase haja uma (natural) ansiedade pela informação.
  • A par. Este estágio é importante pois sabemos o quanto não sabemos. Podemos até enumerar e listar os itens do que queremos conhecer, pois agora estamos a par (cientes) do universo de informações existentes sobre um determinado assunto. Despertamos intimamente o tamanho dos nossos objetivos: aquilo que podemos aprender.
  • Confusão. Neste momento já sabemos o que podemos aprender. No entanto, como (normalmente) temos uma quantidade enorme de assuntos para desvendar, iniciamos o estágio da confusão. O que aprender primeiro? Como definir o que é mais importante? Para que lado devo seguir? Devo ser um especialista ou um generalista? Tenho pouco tempo, devo me dedicar a que assunto? É neste estágio que geralmente inicia-se a fase da auto-sabotagem. Diante deste turbilhão de perguntas, causado pela confusão, a fase de auto-sabotagem é uma tendência inevitável seguida das seguintes frases: “Isso não é pra mim”; “Não vai dar certo”; “Está muito difícil aprender”; etc.
  • Conhecimento. Sem enveredar pelo campo (e definição) da filosofia, podemos definir o conhecimento como a relação que é estabelecida entre o sujeito que conhece ou deseja conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer. Uma definição interessante que encontrei no Wiki sobre conhecimento diz que: “O conhecimento distingue-se da mera informação porque está associado a uma intencionalidade”. É neste estágio que estão presentes a apreensão de qualquer “coisa” por meio do pensamento; e a capacidade de tornar presente ao pensamento “aquilo” que se apreendeu.
  • Sabedoria. Neste último estágio vamos recorrer sim a definição associada a filosofia. Segundo os gregos sabedoria (sophia) define o saber como conhecimento simultaneamente teórico e prático. E neste nível de conhecimento (as vezes inconsciente), quando detemos de sabedoria sobre algo, não sabemos mais o quanto sabemos. Ainda que o tempo passe, vamos ter o completo domínio sobre aquele assunto.

A paciência e, sobretudo, a persistência devem estar sempre presentes no processo da aprendizagem. A definição destes estágios tem como objetivo enquadrar – no tempo e na quantidade de informações apreendidas – a angústia natural em não saber, o deslumbramento da descoberta, a desorientação perturbadora, o conhecimento adquirido e por fim o saber conquistado.

Mãos à obra. Vamos aprender!