O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 2

Tem de tudo no relatório da ADL sobre mobilidade urbana no mundo. Muitos dados, muitas análises e, sobretudo, muitas indicações de caminhos e descaminhos no futuro da mobilidade. Algumas correlações (relação entre variáveis) também são apontadas. Uma delas trata do uso da inovação na mobilidade e da eficácia e eficiência na mobilidade. Elas estão presentes – em uma determinada medida – nas cidades que ficaram entre as 10 primeiras na classificação final.

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As cidades Top 10 do ranking possuem um grande foco em: soluções implementadas para o uso de transporte público; andar a pé e de bicicleta; compartilhamento de bicicletas; além da diminuição do uso de veículos individuais motorizados. Tudo isso graças as estratégias por elas empregadas.

“They also have a coherent mobility strategy.”

Parece que a palavra de ordem é definitivamente PLANEJAMENTO. Mas este planejamento tem que vir associado com ações proativas no desafio da mobilidade urbana, explica o relatório.

No entanto, mesmo com todos os avanços em algumas cidades é interessante notar a percepção das pessoas sobre o assunto. As pessoas não estão plenamente satisfeitas, por exemplo, com o transporte urbano, ou seja, mesmo com notas altas em vários quesitos um sistema perfeito que envolva a mobilidade urbana ainda não existe.

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Outro ponto importante é sobre o quão grande a cidade é. Não existe uma relação (ou correlação) entre seu tamanho e seu índice de mobilidade. Ainda mais, replicar experiências das cidades grandes pode ocasionar, especialmente nas cidades (consideradas) emergentes, uma má distribuição modal, um alto nível na emissão de carbono e baixa velocidade nos deslocamentos. Incrível, não é ?!

Com isso percebe-se que a cópia de uma solução pode não ser a solução. A assertividade na implementação de ações passa pela adequação das soluções e, sobretudo, pelo combate a aversão da inovação no sistema da mobilidade urbana.

Sendo assim, as soluções passam por minimizar os 4 pontos principais de deficiência:

  • Falta de uma Plataforma de colaboração;
  • Ausência de Visão;
  • Falta de foco nas necessidades dos clientes;
  • Competição inadequada.

Vejam que o assunto é por demais complexo. No entanto, as soluções estão a priori disponíveis:

“Solutions to address the pressing mobility challenges are widely available.”

Quais são então os passos para alcançar o “sucesso” na questão da mobilidade urbana? Bem, comecemos por entender o real problema, seus impactos indiretos, os stakeholders e tudo mais que vc acha que não tem a ver com o assunto.

Aliás, quanto mais achamos que um assunto não tem ligação direta com a mobilidade é que, nestes casos, sua convergência em médio e longo prazo vão se tornar cada vez mais nítidos e relevantes no desenvolvimento (ou não) da mobilidade urbana.

No próximo post vamos abordar o tópico do relatório que trata das soluções e tecnologias que estão esperando (e clamando) por desenvolvimento. Aguardem!

Para ler o post anterior acesse O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 1.

O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 1

A empresa de consultoria Arthur D. Little (ADL) publicou um estudo sobre o status da mobilidade urbana em 66 cidades no mundo considerando 11 diferentes critérios. A cidade de São Paulo (posição 44 no ranking) junto com a Cidade do México (33º) e Buenos Aires (34º) foram as representantes latino-americanas neste estudo. Hong Kong lidera a lista dos Top 10 deixando para trás Amsterdã, Londres, Estocolmo, Paris, Boston e outras.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

Os critérios foram divididos em dois grandes grupos: mobility maturity e mobility performance. Através dos itens contidos em cada grupo é muito interessante perceber a vasta dimensão que a mobilidade urbana possui. Ela realmente vai de A à Z, desde identificar se as políticas públicas possuem uma visão clara e uma estratégia bem definida para enfrentar o problema da mobilidade nas cidades, até avaliar o número de bicicletas compartilhadas ou mesmo a taxa de acidentes fatais no trânsito.

Justificativas e motivações não faltam para esse estudo. Talvez o de maior importância seja o crescimento da população mundial. Estima-se que em 2050 teremos 70% da população concentrada na zona urbana. Algumas tendências apontam que nesta mesma década os cidadãos americanos passarão cerca de 100 horas do ano em engarrafamentos. Só para você ter uma ideia, esse valor é três vezes maior do que o valor médio da década de 90.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

Por este e outros motivos, segundo o estudo, o investimento anual em mobilidade urbana precisa quadruplicar para algo em torno de 829 bilhões de euros segundo as necessidades identificadas.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

O estudo não aponta um determinado vilão, mas identifica que a sustentabilidade será peça chave nos sistemas de mobilidade urbana em função do aumento da demanda no consumo por energia e matéria-prima. Os sistemas de mobilidade urbana, portanto, precisam ser reprojetados e isto significa que:

(…) environmentally friendly mass transit must win out over individual motorized transport.

A sustentabilidade, portanto, precisa ser trabalhada considerando três fundamentais dimensões: pessoas; planeta; e deve ser considerado o lucro. Tais dimensões trabalhando em conjunto gerariam benefícios como:

  • Criação de negócios com compatibilidade ambiental;
  • Criação de comunidades sustentáveis e com alta qualidade de vida; e
  • Investimentos sociais e promoção da equidade no sistema econômico.

Duro acreditar nisso, não é mesmo?! Mas os números do estudo não mentem!

Nos próximos posts irei focar em alguns gráficos interessantes e reveladores deste estudo e tentarei traçar algumas correlações. Desta maneira tentarei entender, junto com você, alguns intrigantes valores da mobilidade urbana em algumas cidades ao redor do mundo.

Até lá!

Ação de curto prazo. Mudança de longo prazo

Fiquei intrigado com o subtítulo do material “Tactical Urbanism“. Ao mesmo tempo em que é simples, ele traz consigo uma verdade que por vezes duvidamos da sua eficácia.

Short-term Action || Long-term Change

Em uma tradução livre poderia ser: “Ação de curto prazo || Mudança de longo prazo”. Muito interessante pensar que mudanças provocadas e realizadas em pequenas escalas vão surtir efeitos duradouros. Pura verdade!

tac·ti·cal
1. of or relating to small-scale actions serving a larger purpose
2. adroit in planning or maneuvering to accomplish a purpose

Segundo a publicação, as transformações em grande escala – como a construção de estádios, por exemplo – vão consumir muito investimento de tempo bem como uma profunda reserva de capital político, social e fiscal. Nesta linha de raciocínio não é difícil perceber que, no longo prazo, não temos como garantir que economicamente e socialmente teremos benefícios. Alguém conhece o legado dos jogos Pan-Americanos de 2007 realizados no Rio de Janeiro?

Por outro lado mudanças em pequena escala revelam abordagens que permitem que iniciativas locais testem novos conceitos antes mesmo de fazer mudanças políticas substanciais e comprometer-se financeiramente. Será que funciona?

As táticas publicadas são simples, vão desde criar espaços seguros (play streets) para encontro das pessoas até recuperar (no sentido do resgate mesmo!) ambientes dedicados aos automóveis em um determinado dia da semana (park [ing] day).

A street temporarily transformed.
Credit: Art Monaco Portland via my.parkingday.org

Acredito que não estamos preparados para nenhuma das duas abordagens. Para a primeira abordagem – dos altos investimentos e mega construções e eventos – vamos ter a prova de fogo com a copa do mundo. Quanto à segunda, aparentemente simples, o problema é (basicamente) a mudança de uma cultura inteira. Aí reside a dificuldade!

Por isso que (volto a dizer) essa mudança tem que ser de dentro para fora (primeiramente em você), depois ela deve seguir num raio de 360º (familiares, pares e amigos próximos) e, por fim, ações organizadas governamentais (ou não) com investimentos atrelados.

Fazer é fácil. Fazer coisas simples, mais fácil ainda!

Thanksgiving menos profano

Hoje é celebrado nos Estados Unidos o dia de Ação de Graças ou, do inglês, Thanksgiving. Não vou me ater ao caráter mais humano desta data onde é comemorado o dia da gratidão junto a famíliares e amigos. Quero salientar o outro lado do feriado: digamos que mostrar um lado mais profano !

Não é particularidade desta data, mas todo feriado que se preze tem um lado mais mundano. Normalmente a grande maioria das pessoas não está nem aí para o propósito daquela data. Quer ver? Carnaval é sinônimo de quê? Frevo, trio-elétrico e escola de samba, claro! 12 de Outubro é pra correr no shopping e comprar presente para os filhos. São João é quase sinônimo para forró. Lembrar ou saber que o Carnaval foi originalmente uma celebração dos gregos pela fertilidade do solo, dia 12 é o dia da padroeira do Brasil (Nossa Senhora Aparecida) e São João é uma tradição pagã para celebrar o solstício de verão são meros detalhes. Com o Thanksgiving não seria diferente. O outro lado desta data está muito associado a compras, preços baratos, filas intermináveis, tumulto em lojas e tudo que rege o universo consumista.

Tive a oportunidade de pegar uma dessas filas a título de experiência. Experiência mesmo, pois pela minha posição já era certo que só conseguiria pegar o resto do resto, isso se houvesse resto. É impressionante como a sexta pós feriado movimenta os consumidores. Na verdade as filas começam no final da noite da quinta-feira até as lojas abrirem, por volta das 8 horas do dia seguinte (sexta). Essa típica sexta pós Thanksgiving é chamada de Black Friday.

 

É um verdadeiro consumo desenfreado. O consumo pelo ato de consumir e não pela necessidade. O consumo para aproveitar o preço baixo independente da utilidade do produto. Atualmente, inclusive, este padrão tem evoluido um pouco por conta da tecnologia. A pechincha chega no seu smartphone enquanto vc está na fila de um concorrente. Esforço zero em saber onde estão os melhores preços. E a pergunta que não quer calar é: e onde fica o espírito do Thanksgiving?

Não quero ser hipócrita com essa história de não poder comprar a qualquer custo. Mas nunca é demais lembrar e refletir sobre o como consumir. Consumir deve ser um ato responsável, consciente e sustentável. De maneira que podemos sugerir que o consumo seja feito com inteligência.

Você precisa fazer deste ato um momento agradável, mas para satisfazer um conjunto de (reais) necessidades. Talvez a necessidade primeira seja de fato celebrar com familiares tudo que foi conquistado ao longo do ano que termina.

Trocar cotoveladas e empurrões por uma TV de LED de 50 polegadas com 50% OFF, terá seu preço. Lembre-se, o feriado chama-se Ação de Graças e não Ação de graça.

Black Friday, tudo de bom!!

É hoje mesmo! O melhor dia com os melhores preços do ano nos USA. A famosa Black Friday com excelentes deals! Como “pano de fundo” desta maravilhosa sexta-feira tem o feriado de Ação de Graças (ou Thanksgiving). Um mero detalhe! :) Quer ver uma dessas listas de preços, veja AQUI a da Circuit City.

É realmente insano o dia que antecede a sexta. As lojas fecham e as MEGAS filas começam a se formar pelo menos 24 horas antes da abertura da loja. Tive a oportunidade de pegar uma dessas (organizadas) filas. Até lanchinho distribuiram para os 100 primeiros. O detalhe é que não existe sorte na compra. O que é existe é chegar antecipadamente e garantir que vc pegará o voucher do produto que vc quer comprar. Quem entra sem o voucher vai pro-tudo-ou-nada. No meu caso, sobrou um mero mouse sem fio de bobeira na prateleira. Os produtos bons e baratos, SUMIRAM !!!

Fora o frio miséravel em NY nesta época do ano, posso dizer que valeu a experiência.

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BlackBerry não combina com White House

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Meios de comunicação digital não combinam com o dia-a-dia do número 1 da casa branca. Li no NY Times que Obama não poderá mais usar seu BlackBerry (BB). Mas não se trata de deixar de lado o equipamento, ou esquecer vez por outra em casa (na White House). Por questões de segurança digital o vício tem que parar! É interessante saber que ele envia uma mensagem aos amigos quando seu time vence um jogo e elas vão sempre com emotions e coisas do gênero.

Achei realmente interessante perceber esses dois lados da moeda. Bush com sua liberdade digital decretada para 2009, ao passo que Obama terá que conviver sem seu amigo BB.

CitIX vale + do q mil palavras

No post Cidade em Movimento anunciava com muita satisfação a liberação da versão beta do CitIX. Não lembra o que é o CitIX? Segue uma definição do seu idealizador, Charles Barbosa

…estamos criando um novo instrumento onde as pessoas podem compartilhar informações sobre o local onde vivem, de maneira simples e direta. Esse é um canal onde todos tem voz. Com o CitIX poderemos fazer nossa cidade muito melhor…

A fim de fornecer mais informações relevantes da saúde da segurança pública da cidade do Recife, o CitIX comemora uma parceria com o PEBodyCount.

O PEbodycount nasce da inquietação. Surge para transformar a perplexidade passiva, de um Estado de vidas abreviadas à bala, em sentimento de que é possível construir saídas coletivas. […]

O resultado pode ser visto na imagem abaixo. Os pontos vermelhos são informações de eventos relacionados a (falta de) segurança da nossa cidade.

Esta imagem fornecida pelo CitIX vale mais do que mil palavras, rankings e dados estatísticos.

Vc está esperando o que para se CADASTRAR e compartilhar dados vivenciados por vc?

Vá lá e confira! http://www.citix.net