Compartilhar a Rua é Preciso

Pedalando hoje no circuito Aurora/Recife Antigo percebi o quão despreparados os motoristas de carros e ônibus estão no compartilhamento das ruas do Recife.

Passamos por algumas situações tensas e de risco iminente de atropelamento e colisão. Ficaria muito tenso esse post se relatasse todas elas aqui :). Prefiro destacar alguns pontos importantes do no nosso código de trânsito:

  • Art. 58 – “… a via deve ser compartilhada …”;
  • Art. 29 § 2˚ – “… veículos maiores devem prezar pela segurança dos menores …”;
  • Art. 201 – “… distância mínima de 1,5m ao ultrapassar as bicicletas …”;
  • Art. 220 item XIII – “… diminuindo a velocidade ao fazer a ultrapassagem …”.

Bem, não precisa nem dizer que o compartilhamento da rua hoje foi extremamente difícil, os veículos com 10 vezes o nosso peso adotavam uma postura predadora, a distância praticada entre o retrovisor do carro e meu cotovelo era de apenas 20 centímetros e, por fim, carros e ônibus passavam a mais de 70 Km/h ao nosso lado. Saliento que não estávamos tão devagar. Pedalávamos entre 30 e 40 Km/h.

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A pergunta que não quer calar é: como será o dia a dia das pessoas que usarão as bicicletas compartilhas neste local?

Existem muitas medidas que a prefeitura da cidade do Recife pode e deve tomar, mas (talvez) a mais importante seja reduzir a velocidade de circulação dos carros.

Criar um ambiente de compartilhamento de bicicletas é tarefa fácil. Quero ver criar um ambiente de compartilhamento responsável das ruas nas grandes cidades.

Será que conseguimos isso por aqui? Vou fazer a minha parte. E você…vai fazer a sua?

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O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 2

Tem de tudo no relatório da ADL sobre mobilidade urbana no mundo. Muitos dados, muitas análises e, sobretudo, muitas indicações de caminhos e descaminhos no futuro da mobilidade. Algumas correlações (relação entre variáveis) também são apontadas. Uma delas trata do uso da inovação na mobilidade e da eficácia e eficiência na mobilidade. Elas estão presentes – em uma determinada medida – nas cidades que ficaram entre as 10 primeiras na classificação final.

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As cidades Top 10 do ranking possuem um grande foco em: soluções implementadas para o uso de transporte público; andar a pé e de bicicleta; compartilhamento de bicicletas; além da diminuição do uso de veículos individuais motorizados. Tudo isso graças as estratégias por elas empregadas.

“They also have a coherent mobility strategy.”

Parece que a palavra de ordem é definitivamente PLANEJAMENTO. Mas este planejamento tem que vir associado com ações proativas no desafio da mobilidade urbana, explica o relatório.

No entanto, mesmo com todos os avanços em algumas cidades é interessante notar a percepção das pessoas sobre o assunto. As pessoas não estão plenamente satisfeitas, por exemplo, com o transporte urbano, ou seja, mesmo com notas altas em vários quesitos um sistema perfeito que envolva a mobilidade urbana ainda não existe.

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Outro ponto importante é sobre o quão grande a cidade é. Não existe uma relação (ou correlação) entre seu tamanho e seu índice de mobilidade. Ainda mais, replicar experiências das cidades grandes pode ocasionar, especialmente nas cidades (consideradas) emergentes, uma má distribuição modal, um alto nível na emissão de carbono e baixa velocidade nos deslocamentos. Incrível, não é ?!

Com isso percebe-se que a cópia de uma solução pode não ser a solução. A assertividade na implementação de ações passa pela adequação das soluções e, sobretudo, pelo combate a aversão da inovação no sistema da mobilidade urbana.

Sendo assim, as soluções passam por minimizar os 4 pontos principais de deficiência:

  • Falta de uma Plataforma de colaboração;
  • Ausência de Visão;
  • Falta de foco nas necessidades dos clientes;
  • Competição inadequada.

Vejam que o assunto é por demais complexo. No entanto, as soluções estão a priori disponíveis:

“Solutions to address the pressing mobility challenges are widely available.”

Quais são então os passos para alcançar o “sucesso” na questão da mobilidade urbana? Bem, comecemos por entender o real problema, seus impactos indiretos, os stakeholders e tudo mais que vc acha que não tem a ver com o assunto.

Aliás, quanto mais achamos que um assunto não tem ligação direta com a mobilidade é que, nestes casos, sua convergência em médio e longo prazo vão se tornar cada vez mais nítidos e relevantes no desenvolvimento (ou não) da mobilidade urbana.

No próximo post vamos abordar o tópico do relatório que trata das soluções e tecnologias que estão esperando (e clamando) por desenvolvimento. Aguardem!

Para ler o post anterior acesse O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 1.