Vou de Gôndola, e vc?

Nem de carro, nem de ônibus, vamos todos andar de gôndola no futuro. É isso mesmo! Esse meio de transporte já é uma realidade utilizada pontualmente nas cidades de Nova York e em  Portland nos Estados Unidos. Por aqui, tirando nosso bondinho do Pão de Açúcar, acredito que vá demorar “um pouquinho”.

O Aerial Gondolas ou Aerial Tram ou ainda Tramways, como pode ser chamado em inglês, resolve muitos dos problemas nas grandes cidades, uma vez que elas não tenham mais condições estruturais para aumentar sua malha viária. As gôndolas podem transportar até 100 pessoas e fazer em média 110 viagens por dia. Sem dúvida uma mão na roda (ou melhor, no cabo de aço) para locomoções diárias rápidas e com qualidade.

Alguns planos estão em curso para resolver o problema de mobilidade urbana nas grandes metrópoles. Em Austin (Texas), por exemplo, um projeto ambicioso (The Wire) pretende conectar a cidade através das gôndolas.

Fonte: Co.Design (http://www.fastcodesign.com/)

O autor do projeto, Michael McDaniel, justifica a viabilidade do projeto de uma maneira bem simples. Ele fala que sua ideia é criar mais uma “camada” de infraestrutura nas cidades mais antigas. Simples assim! Isso não é novidade, diz Michael. Inclusive já vivenciamos isso como a evolução do sistema de telefonia que utilizou a infraestrutura vigente para transmitir dados (DSL). Essa nova camada ficaria sobreposta ao sistema atual viário. Plenamente factível!

Veja que, mais uma vez, a solução para mobilidade urbana passa pelo uso de sistemas de transporte coletivo. Mas….e se tentássemos resolver com a carona? Será que o uso de carros híbridos compartilhados poderia ser também uma solução? O que vc acha? Gôndola ou carro?

Realmente não sei se o caminho é o uso do carro em algum tipo de solução alternativa. Tenho uma opinião BEM particular a respeito deste assunto. Aguarde os próximos posts!

O Futuro da Mobilidade Urbana – Parte 1

A empresa de consultoria Arthur D. Little (ADL) publicou um estudo sobre o status da mobilidade urbana em 66 cidades no mundo considerando 11 diferentes critérios. A cidade de São Paulo (posição 44 no ranking) junto com a Cidade do México (33º) e Buenos Aires (34º) foram as representantes latino-americanas neste estudo. Hong Kong lidera a lista dos Top 10 deixando para trás Amsterdã, Londres, Estocolmo, Paris, Boston e outras.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

Os critérios foram divididos em dois grandes grupos: mobility maturity e mobility performance. Através dos itens contidos em cada grupo é muito interessante perceber a vasta dimensão que a mobilidade urbana possui. Ela realmente vai de A à Z, desde identificar se as políticas públicas possuem uma visão clara e uma estratégia bem definida para enfrentar o problema da mobilidade nas cidades, até avaliar o número de bicicletas compartilhadas ou mesmo a taxa de acidentes fatais no trânsito.

Justificativas e motivações não faltam para esse estudo. Talvez o de maior importância seja o crescimento da população mundial. Estima-se que em 2050 teremos 70% da população concentrada na zona urbana. Algumas tendências apontam que nesta mesma década os cidadãos americanos passarão cerca de 100 horas do ano em engarrafamentos. Só para você ter uma ideia, esse valor é três vezes maior do que o valor médio da década de 90.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

Por este e outros motivos, segundo o estudo, o investimento anual em mobilidade urbana precisa quadruplicar para algo em torno de 829 bilhões de euros segundo as necessidades identificadas.

Fonte: The Future of Urban Mobility (Oct, 2011)

O estudo não aponta um determinado vilão, mas identifica que a sustentabilidade será peça chave nos sistemas de mobilidade urbana em função do aumento da demanda no consumo por energia e matéria-prima. Os sistemas de mobilidade urbana, portanto, precisam ser reprojetados e isto significa que:

(…) environmentally friendly mass transit must win out over individual motorized transport.

A sustentabilidade, portanto, precisa ser trabalhada considerando três fundamentais dimensões: pessoas; planeta; e deve ser considerado o lucro. Tais dimensões trabalhando em conjunto gerariam benefícios como:

  • Criação de negócios com compatibilidade ambiental;
  • Criação de comunidades sustentáveis e com alta qualidade de vida; e
  • Investimentos sociais e promoção da equidade no sistema econômico.

Duro acreditar nisso, não é mesmo?! Mas os números do estudo não mentem!

Nos próximos posts irei focar em alguns gráficos interessantes e reveladores deste estudo e tentarei traçar algumas correlações. Desta maneira tentarei entender, junto com você, alguns intrigantes valores da mobilidade urbana em algumas cidades ao redor do mundo.

Até lá!

Ação de curto prazo. Mudança de longo prazo

Fiquei intrigado com o subtítulo do material “Tactical Urbanism“. Ao mesmo tempo em que é simples, ele traz consigo uma verdade que por vezes duvidamos da sua eficácia.

Short-term Action || Long-term Change

Em uma tradução livre poderia ser: “Ação de curto prazo || Mudança de longo prazo”. Muito interessante pensar que mudanças provocadas e realizadas em pequenas escalas vão surtir efeitos duradouros. Pura verdade!

tac·ti·cal
1. of or relating to small-scale actions serving a larger purpose
2. adroit in planning or maneuvering to accomplish a purpose

Segundo a publicação, as transformações em grande escala – como a construção de estádios, por exemplo – vão consumir muito investimento de tempo bem como uma profunda reserva de capital político, social e fiscal. Nesta linha de raciocínio não é difícil perceber que, no longo prazo, não temos como garantir que economicamente e socialmente teremos benefícios. Alguém conhece o legado dos jogos Pan-Americanos de 2007 realizados no Rio de Janeiro?

Por outro lado mudanças em pequena escala revelam abordagens que permitem que iniciativas locais testem novos conceitos antes mesmo de fazer mudanças políticas substanciais e comprometer-se financeiramente. Será que funciona?

As táticas publicadas são simples, vão desde criar espaços seguros (play streets) para encontro das pessoas até recuperar (no sentido do resgate mesmo!) ambientes dedicados aos automóveis em um determinado dia da semana (park [ing] day).

A street temporarily transformed.
Credit: Art Monaco Portland via my.parkingday.org

Acredito que não estamos preparados para nenhuma das duas abordagens. Para a primeira abordagem – dos altos investimentos e mega construções e eventos – vamos ter a prova de fogo com a copa do mundo. Quanto à segunda, aparentemente simples, o problema é (basicamente) a mudança de uma cultura inteira. Aí reside a dificuldade!

Por isso que (volto a dizer) essa mudança tem que ser de dentro para fora (primeiramente em você), depois ela deve seguir num raio de 360º (familiares, pares e amigos próximos) e, por fim, ações organizadas governamentais (ou não) com investimentos atrelados.

Fazer é fácil. Fazer coisas simples, mais fácil ainda!