Compartilhamento de bicicletas: lugares diferentes, mesmos problemas!

Essa semana li duas notícias que, em um primeiro momento, deixaram-me bastante confuso. A primeira foi uma matéria no TheCityFix sobre o Bakeshare in Delhi (compartilhamento de bikes em Deli na Índia). Ela revela algumas informações, no mínimo, interessantes. Primeiro: ocorreu uma diminuição no uso de transportes públicos em Deli; segundo: houve aumento no uso de transportes não-motorizados; e terceiro: o sistema de compartilhamento de bicicletas vigente não decolou, possuindo vários problemas. Como pode? Aumento da propulsão humana no deslocamento e, ainda assim, o uso de bicicletas ainda acanhado? Estranho!

A segunda notícia trata do sistema de compartilhamento de bicicletas no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. Uma matéria do O Globo chamada “Bike Rio dá sinais de exaustão e precisa de expansão” revela problemas ocasionados pela alta demanda no uso das magrelas. Em suma: o sistema de aluguel de bikes está ficando esgotado. Note que isso é apenas uma constatação, não é um julgamento ou uma caça aos culpados (Governo, Executor ou Patrocinador).

O fato é claro e pude constatar in loco em visita ao Rio: faltam bicicletas em várias estações. Quando haviam bikes não era possível retirá-las por causa de “problemas técnicos”. É evidente que o uso em si, no tocante a disponibilidade, vai se auto-regular em alguma medida. Mas, sem sombra de dúvidas, 580 bicicletas no Rio ainda é um número “modestamente pequeno”. Para efeito de dimensionamento, e não de comparação, temos o belo exemplo do Vélibi em Paris que possui mais de 20 mil bicicletas neste sistema de aluguel; e a Cidade do México que possui 2,5 mil Ecobicis.

Neste aparente antagonismo entre as matérias, com realidades econômicas e sociais (ocasionalmente) distintas, alguns fatos podem servir como fonte de aprendizado. Quer ver?

No caso de Deli, por exemplo, vemos o problema da falta de escala no sistema de compartilhamento e no uso propriamente dito, com a falta de reparos e manutenções. No caso do Rio, a escala (ainda que pequena) provou que brasileiro quer usar sim este tipo de serviço. No entanto, os problemas no uso são os mesmos: “problemas técnicos”! Na Cidade do México a tecla de problema é a mesma, mesmo com 2,5 mil bicicletas. Usuários enfrentam filas para retirar as bicicletas. Mais uma vez o problema de escala!

Não sei se existe uma equação ótima para a implantação dessas iniciativas. Unir qualidade no serviço e dimensionamento adequado de estações e bicicletas é um grande desafio que deve ser pautado na adesão do serviço em si. Acredito que o brasileiro, de maneira geral, já abraçou esse “novo” modo de se deslocar. É preciso agora que o governo acorde para este fato e implemente verdadeiramente ações para melhoria da mobilidade urbana.

Fomentar o uso das magrelas vai muito além das iniciativas de interdição de grandes avenidas aos domingos. É preciso encarar que a bicicleta é um veículo que deve e pode compartilhar a estrutura viária urbana. Aliás, a iniciativa tem que ser resultado da observação e estudos em lugares que deram certo e, sobretudo, em lugares que deram errado. Tem muitos exemplos por ai. Simples assim: estudar, adequar e implementar uma solução eficiente!

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