Princípios (simples) da mobilidade urbana

Independente do assunto que estamos envolvidos em algum momento da nossa vida, acredito ser muito importante entender as origens das coisas, as definições, os princípios, as diferentes visões e, de maneira geral, tudo que possa nos trazer conhecimento primário naquilo que estamos estudando.

Seguindo nesta direção fui em busca dos princípios que norteiam o assunto Mobilidade Urbana na visão do ITDP (Institute for Transportation & Development Policy) através do projeto OCO (Our Cities Ourselves).

O ITDP é um instituto fundado em 1985 que promove (dentre outras coisas) políticas de transportes sustentáveis e socialmente mais justas em todo o mundo.

Os princípios são:

1. Ande a Pé! Crie ambientes que privilegiem o pedestre.

2. Propulsão Humana! Crie bons ambientes para bicicletas e veículos não-motorizados.

3. Vá de Ônibus! Forneça transporte público de qualidade com bom custo-benefício.

4. Estabeleça Limites! Permita o acesso de veículos em velocidades seguras e em números significativamente reduzidos.

5. Cuide das Entregas! Sirva a cidade de maneira limpa e segura ao fazer entregas de mercadorias.

6. Misture! Integre pessoas e atividades diferentes, edifícios e espaços.

7. Preencha os Espaços! Aproveite os vazios para criar bairros compactos e atraentes, orientados para pessoas e para o transporte público.

8. Fique Ligado! Respeite e valorize o patrimônio natural, cultural e histórico do seu lugar.

9. Conecte as Quadras! Proporcione caminhadas diretas e produtivas, com quadras e edifícios de pequeno porte.

10. Faça Durar! Construa para longo prazo.

Acho realmente intrigante e antagônico como princípios tão simples podem ser tão complexos de serem implementados. Talvez tenhamos que ter, além do planejamento, pessoas verdadeiramente engajadas e com princípios realmente alinhados com essa problemática.

Mudar o entorno significa primeiramente provocar uma mudança em si mesmo.

*Fonte: Os 10 princípios estão disponíveis na versão em português da publicação “A Cidade somos nós”.

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Compartilhamento de bicicletas: lugares diferentes, mesmos problemas!

Essa semana li duas notícias que, em um primeiro momento, deixaram-me bastante confuso. A primeira foi uma matéria no TheCityFix sobre o Bakeshare in Delhi (compartilhamento de bikes em Deli na Índia). Ela revela algumas informações, no mínimo, interessantes. Primeiro: ocorreu uma diminuição no uso de transportes públicos em Deli; segundo: houve aumento no uso de transportes não-motorizados; e terceiro: o sistema de compartilhamento de bicicletas vigente não decolou, possuindo vários problemas. Como pode? Aumento da propulsão humana no deslocamento e, ainda assim, o uso de bicicletas ainda acanhado? Estranho!

A segunda notícia trata do sistema de compartilhamento de bicicletas no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. Uma matéria do O Globo chamada “Bike Rio dá sinais de exaustão e precisa de expansão” revela problemas ocasionados pela alta demanda no uso das magrelas. Em suma: o sistema de aluguel de bikes está ficando esgotado. Note que isso é apenas uma constatação, não é um julgamento ou uma caça aos culpados (Governo, Executor ou Patrocinador).

O fato é claro e pude constatar in loco em visita ao Rio: faltam bicicletas em várias estações. Quando haviam bikes não era possível retirá-las por causa de “problemas técnicos”. É evidente que o uso em si, no tocante a disponibilidade, vai se auto-regular em alguma medida. Mas, sem sombra de dúvidas, 580 bicicletas no Rio ainda é um número “modestamente pequeno”. Para efeito de dimensionamento, e não de comparação, temos o belo exemplo do Vélibi em Paris que possui mais de 20 mil bicicletas neste sistema de aluguel; e a Cidade do México que possui 2,5 mil Ecobicis.

Neste aparente antagonismo entre as matérias, com realidades econômicas e sociais (ocasionalmente) distintas, alguns fatos podem servir como fonte de aprendizado. Quer ver?

No caso de Deli, por exemplo, vemos o problema da falta de escala no sistema de compartilhamento e no uso propriamente dito, com a falta de reparos e manutenções. No caso do Rio, a escala (ainda que pequena) provou que brasileiro quer usar sim este tipo de serviço. No entanto, os problemas no uso são os mesmos: “problemas técnicos”! Na Cidade do México a tecla de problema é a mesma, mesmo com 2,5 mil bicicletas. Usuários enfrentam filas para retirar as bicicletas. Mais uma vez o problema de escala!

Não sei se existe uma equação ótima para a implantação dessas iniciativas. Unir qualidade no serviço e dimensionamento adequado de estações e bicicletas é um grande desafio que deve ser pautado na adesão do serviço em si. Acredito que o brasileiro, de maneira geral, já abraçou esse “novo” modo de se deslocar. É preciso agora que o governo acorde para este fato e implemente verdadeiramente ações para melhoria da mobilidade urbana.

Fomentar o uso das magrelas vai muito além das iniciativas de interdição de grandes avenidas aos domingos. É preciso encarar que a bicicleta é um veículo que deve e pode compartilhar a estrutura viária urbana. Aliás, a iniciativa tem que ser resultado da observação e estudos em lugares que deram certo e, sobretudo, em lugares que deram errado. Tem muitos exemplos por ai. Simples assim: estudar, adequar e implementar uma solução eficiente!