Thanksgiving menos profano

Hoje é celebrado nos Estados Unidos o dia de Ação de Graças ou, do inglês, Thanksgiving. Não vou me ater ao caráter mais humano desta data onde é comemorado o dia da gratidão junto a famíliares e amigos. Quero salientar o outro lado do feriado: digamos que mostrar um lado mais profano !

Não é particularidade desta data, mas todo feriado que se preze tem um lado mais mundano. Normalmente a grande maioria das pessoas não está nem aí para o propósito daquela data. Quer ver? Carnaval é sinônimo de quê? Frevo, trio-elétrico e escola de samba, claro! 12 de Outubro é pra correr no shopping e comprar presente para os filhos. São João é quase sinônimo para forró. Lembrar ou saber que o Carnaval foi originalmente uma celebração dos gregos pela fertilidade do solo, dia 12 é o dia da padroeira do Brasil (Nossa Senhora Aparecida) e São João é uma tradição pagã para celebrar o solstício de verão são meros detalhes. Com o Thanksgiving não seria diferente. O outro lado desta data está muito associado a compras, preços baratos, filas intermináveis, tumulto em lojas e tudo que rege o universo consumista.

Tive a oportunidade de pegar uma dessas filas a título de experiência. Experiência mesmo, pois pela minha posição já era certo que só conseguiria pegar o resto do resto, isso se houvesse resto. É impressionante como a sexta pós feriado movimenta os consumidores. Na verdade as filas começam no final da noite da quinta-feira até as lojas abrirem, por volta das 8 horas do dia seguinte (sexta). Essa típica sexta pós Thanksgiving é chamada de Black Friday.

 

É um verdadeiro consumo desenfreado. O consumo pelo ato de consumir e não pela necessidade. O consumo para aproveitar o preço baixo independente da utilidade do produto. Atualmente, inclusive, este padrão tem evoluido um pouco por conta da tecnologia. A pechincha chega no seu smartphone enquanto vc está na fila de um concorrente. Esforço zero em saber onde estão os melhores preços. E a pergunta que não quer calar é: e onde fica o espírito do Thanksgiving?

Não quero ser hipócrita com essa história de não poder comprar a qualquer custo. Mas nunca é demais lembrar e refletir sobre o como consumir. Consumir deve ser um ato responsável, consciente e sustentável. De maneira que podemos sugerir que o consumo seja feito com inteligência.

Você precisa fazer deste ato um momento agradável, mas para satisfazer um conjunto de (reais) necessidades. Talvez a necessidade primeira seja de fato celebrar com familiares tudo que foi conquistado ao longo do ano que termina.

Trocar cotoveladas e empurrões por uma TV de LED de 50 polegadas com 50% OFF, terá seu preço. Lembre-se, o feriado chama-se Ação de Graças e não Ação de graça.

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Leio, logo escrevo

Decidi assumir minha parcela de responsabilidade em um problema que eu sei que é muito maior do que minha sala de aula. Preciso lecionar de uma maneira tal que obrigue (e oriente) de alguma maneira o aluno na produção de textos acadêmicos (artigos, projetos, resumos, monografias, etc).

Não vou filosofar sobre o ato de escrever, formas, regras (ABNT, ou não) ou focar em pontos sócio-educacionais. Não! Meu foco é chamar a atenção para o seguinte problema nas salas de aula: o aluno (definitivamente) NÃO sabe escrever. Pior ainda, ele nem sequer sabe fazer anotações (relevantes) durante uma aula. Documentar um projeto de pesquisa então…esqueça ! Uma monografia…nem pensar !!!!

Para mudar tal cenário (em alguma medida) a dinâmica da aula PRECISA mudar. Como?!?

  • Exija caderno. Incrível como em uma sala de aula a quantidade de alunos que nem sequer trazem canetas.
  • Escreva no quadro. Ainda que o uso de slides seja uma boa ferramenta, uma aula com anotações (organizadas) feitas na hora (in realtime) no quadro não tem preco.
  • Verifique o que estão anotando. Ande pela sala, olhe os cadernos e avalie a qualidade das anotações.
  • Faça perguntas abertas (discursivas) na avaliação. A prova não precisa ser toda feita de questões abertas, mas uma ou duas vale a pena. Uma dica válida também é deixar um espaço pré-definido com linhas para a escrita da resposta. Força a organização.
  • Faça a prova no formato de REDAÇÃO de vestibular. Isso mesmo! Coloque duas ou três questões centrais para o desenvolvimento numa redação dissertativa. Cobre estrutura (introdução, desenvolvimento e conclusão).
  • Passe artigos técnicos para leitura. Os alunos tem que ter contato com publicações científicas o quanto antes na faculdade. Mais do que entender 100% do que o artigo aborda, deve ser trabalhado também a questão da maneira como se escreve o artigo do ponto de vista de estrutura e forma.
  • Cobre resumo de algum conteúdo. Aqui você conseguirá fazer com que os alunos pratiquem sua capacidade de redigir.
  • Incentive a leitura de livros (menos técnicos). Nada de “Aprenda X em 21 dias” ou “Programação em X”. Existem livros dentro da Ciência da Computação que não são no estilo How-To. Somente para citar alguns (obrigatórios): Peopleware e The Pragmatic Programmer.

Definitivamente não existe fórmula para aprender a escrever. Mais uma coisa é certa: se o aluno nunca escreve, só responde X ou respostas curtas, nunca vai conseguir desenvolver tal habilidade. Ele vai sofrer primeiramente durante a construção do seu TCC, depois produzindo um relatório no emprego ou mesmo um e-mail com o status de suas atividades. Vai ser um desastre!!

Como disse, precisamos mudar este cenário. Já estou fazendo muitas das dicas acima. A redação foi uma delas. Mais do que um resultado negativo – enquanto avaliação de unidade – o mais importante foi os alunos cairem em si do quanto eles NÃO sabem escrever.

Missão cumprida! Só resta aos alunos agora estudar para a próxima prova ;) .