Aprendendo a Aprender

Dois dias antes de iniciar minhas atividades como professor (da FG), achei um diagrama (no livro que Estou Lendo) que trata do Processo de Aprendizagem. No contexto deste livro, a aprendizagem é voltada para pessoas que atuam na área de vendas. No entanto, achei muito oportuno iniciar a primeira aula falando exatamente disso: APRENDIZAGEM.

Fiz alguns ajustes no modelo (originalmente proposto pelo livro) e o adaptei para minha realidade/aula.

aprendendo-a-aprender.GIFNeste processo de “Aprendendo a Aprender” cinco estágios são definidos (click na figura para ampliá-la): ignora; a par; confusão; conhecimento; e sabedoria.

  • Ignora. Neste estágio nos encontramos no estágio da ignorância. Não sabemos o que não sabemos. Uma frase atribuída a Socrátes retrata bem esta fase: “Só sei que nada sei”. É comum que nesta fase haja uma (natural) ansiedade pela informação.
  • A par. Este estágio é importante pois sabemos o quanto não sabemos. Podemos até enumerar e listar os itens do que queremos conhecer, pois agora estamos a par (cientes) do universo de informações existentes sobre um determinado assunto. Despertamos intimamente o tamanho dos nossos objetivos: aquilo que podemos aprender.
  • Confusão. Neste momento já sabemos o que podemos aprender. No entanto, como (normalmente) temos uma quantidade enorme de assuntos para desvendar, iniciamos o estágio da confusão. O que aprender primeiro? Como definir o que é mais importante? Para que lado devo seguir? Devo ser um especialista ou um generalista? Tenho pouco tempo, devo me dedicar a que assunto? É neste estágio que geralmente inicia-se a fase da auto-sabotagem. Diante deste turbilhão de perguntas, causado pela confusão, a fase de auto-sabotagem é uma tendência inevitável seguida das seguintes frases: “Isso não é pra mim”; “Não vai dar certo”; “Está muito difícil aprender”; etc.
  • Conhecimento. Sem enveredar pelo campo (e definição) da filosofia, podemos definir o conhecimento como a relação que é estabelecida entre o sujeito que conhece ou deseja conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer. Uma definição interessante que encontrei no Wiki sobre conhecimento diz que: “O conhecimento distingue-se da mera informação porque está associado a uma intencionalidade”. É neste estágio que estão presentes a apreensão de qualquer “coisa” por meio do pensamento; e a capacidade de tornar presente ao pensamento “aquilo” que se apreendeu.
  • Sabedoria. Neste último estágio vamos recorrer sim a definição associada a filosofia. Segundo os gregos sabedoria (sophia) define o saber como conhecimento simultaneamente teórico e prático. E neste nível de conhecimento (as vezes inconsciente), quando detemos de sabedoria sobre algo, não sabemos mais o quanto sabemos. Ainda que o tempo passe, vamos ter o completo domínio sobre aquele assunto.

A paciência e, sobretudo, a persistência devem estar sempre presentes no processo da aprendizagem. A definição destes estágios tem como objetivo enquadrar – no tempo e na quantidade de informações apreendidas – a angústia natural em não saber, o deslumbramento da descoberta, a desorientação perturbadora, o conhecimento adquirido e por fim o saber conquistado.

Mãos à obra. Vamos aprender!

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6 respostas em “Aprendendo a Aprender

  1. Me lembrei da estória do sujeito que tinha uma barba enorme e um dia encontrou outro cara da barba comprida que lhe perguntou se dormia com a barba por cima ou por baixo do lençol, pois tinha insônia por não saber o melhor lugar para a barba. O primeiro percebeu que não sabia onde colocava a barba e, nessa noite, ao tentar descobrir, acabou por ter insônia também.

    Vemos claramente nessa estória as fases do ignorar, estar a par e a confusão.

    Imagino que depois de um tempo ele acabaria por descobrir que, na verdade, tanto faz se a barba está por cima ou por baixo, levando-o ao conhecimento.

    Posteriormente, irá até esquecer toda essa dilemática, voltando ao ponto onde dormia sem pensar na questão, atingindo a sabedoria, assemelhando-se bastante àquele que ainda é ignorante nesse assunto, com a distinção que não mais sentirá insônia quando for novamente perguntado sobre a posição da barba ao dormir.

    Comentei essa estória só para poder ressaltar que, em muitas questões do cotidiano, o ignorante é frequentemente confundido com o sábio, por apresentarem sintomas semelhantes: um não sabe que não sabe e o outro não sabe que já sabe.

    Acho que vale a pena contá-la em sala de aula.

  2. Gostei muito da forma que você colocou o aprendendo a aprender.É exatamente o que você escreveu e com uma boa dose de humor.Ana maria

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