Thanksgiving menos profano

24 11 2011

Hoje é celebrado nos Estados Unidos o dia de Ação de Graças ou, do inglês, Thanksgiving. Não vou me ater ao caráter mais humano desta data onde é comemorado o dia da gratidão junto a famíliares e amigos. Quero salientar o outro lado do feriado: digamos que mostrar um lado mais profano !

Não é particularidade desta data, mas todo feriado que se preze tem um lado mais mundano. Normalmente a grande maioria das pessoas não está nem aí para o propósito daquela data. Quer ver? Carnaval é sinônimo de quê? Frevo, trio-elétrico e escola de samba, claro! 12 de Outubro é pra correr no shopping e comprar presente para os filhos. São João é quase sinônimo para forró. Lembrar ou saber que o Carnaval foi originalmente uma celebração dos gregos pela fertilidade do solo, dia 12 é o dia da padroeira do Brasil (Nossa Senhora Aparecida) e São João é uma tradição pagã para celebrar o solstício de verão são meros detalhes. Com o Thanksgiving não seria diferente. O outro lado desta data está muito associado a compras, preços baratos, filas intermináveis, tumulto em lojas e tudo que rege o universo consumista.

Tive a oportunidade de pegar uma dessas filas a título de experiência. Experiência mesmo, pois pela minha posição já era certo que só conseguiria pegar o resto do resto, isso se houvesse resto. É impressionante como a sexta pós feriado movimenta os consumidores. Na verdade as filas começam no final da noite da quinta-feira até as lojas abrirem, por volta das 8 horas do dia seguinte (sexta). Essa típica sexta pós Thanksgiving é chamada de Black Friday.

 

É um verdadeiro consumo desenfreado. O consumo pelo ato de consumir e não pela necessidade. O consumo para aproveitar o preço baixo independente da utilidade do produto. Atualmente, inclusive, este padrão tem evoluido um pouco por conta da tecnologia. A pechincha chega no seu smartphone enquanto vc está na fila de um concorrente. Esforço zero em saber onde estão os melhores preços. E a pergunta que não quer calar é: e onde fica o espírito do Thanksgiving?

Não quero ser hipócrita com essa história de não poder comprar a qualquer custo. Mas nunca é demais lembrar e refletir sobre o como consumir. Consumir deve ser um ato responsável, consciente e sustentável. De maneira que podemos sugerir que o consumo seja feito com inteligência.

Você precisa fazer deste ato um momento agradável, mas para satisfazer um conjunto de (reais) necessidades. Talvez a necessidade primeira seja de fato celebrar com familiares tudo que foi conquistado ao longo do ano que termina.

Trocar cotoveladas e empurrões por uma TV de LED de 50 polegadas com 50% OFF, terá seu preço. Lembre-se, o feriado chama-se Ação de Graças e não Ação de graça.





Leio, logo escrevo

5 11 2011

Decidi assumir minha parcela de responsabilidade em um problema que eu sei que é muito maior do que minha sala de aula. Preciso lecionar de uma maneira tal que obrigue (e oriente) de alguma maneira o aluno na produção de textos acadêmicos (artigos, projetos, resumos, monografias, etc).

Não vou filosofar sobre o ato de escrever, formas, regras (ABNT, ou não) ou focar em pontos sócio-educacionais. Não! Meu foco é chamar a atenção para o seguinte problema nas salas de aula: o aluno (definitivamente) NÃO sabe escrever. Pior ainda, ele nem sequer sabe fazer anotações (relevantes) durante uma aula. Documentar um projeto de pesquisa então…esqueça ! Uma monografia…nem pensar !!!!

Para mudar tal cenário (em alguma medida) a dinâmica da aula PRECISA mudar. Como?!?

  • Exija caderno. Incrível como em uma sala de aula a quantidade de alunos que nem sequer trazem canetas.
  • Escreva no quadro. Ainda que o uso de slides seja uma boa ferramenta, uma aula com anotações (organizadas) feitas na hora (in realtime) no quadro não tem preco.
  • Verifique o que estão anotando. Ande pela sala, olhe os cadernos e avalie a qualidade das anotações.
  • Faça perguntas abertas (discursivas) na avaliação. A prova não precisa ser toda feita de questões abertas, mas uma ou duas vale a pena. Uma dica válida também é deixar um espaço pré-definido com linhas para a escrita da resposta. Força a organização.
  • Faça a prova no formato de REDAÇÃO de vestibular. Isso mesmo! Coloque duas ou três questões centrais para o desenvolvimento numa redação dissertativa. Cobre estrutura (introdução, desenvolvimento e conclusão).
  • Passe artigos técnicos para leitura. Os alunos tem que ter contato com publicações científicas o quanto antes na faculdade. Mais do que entender 100% do que o artigo aborda, deve ser trabalhado também a questão da maneira como se escreve o artigo do ponto de vista de estrutura e forma.
  • Cobre resumo de algum conteúdo. Aqui você conseguirá fazer com que os alunos pratiquem sua capacidade de redigir.
  • Incentive a leitura de livros (menos técnicos). Nada de “Aprenda X em 21 dias” ou “Programação em X”. Existem livros dentro da Ciência da Computação que não são no estilo How-To. Somente para citar alguns (obrigatórios): Peopleware e The Pragmatic Programmer.

Definitivamente não existe fórmula para aprender a escrever. Mais uma coisa é certa: se o aluno nunca escreve, só responde X ou respostas curtas, nunca vai conseguir desenvolver tal habilidade. Ele vai sofrer primeiramente durante a construção do seu TCC, depois produzindo um relatório no emprego ou mesmo um e-mail com o status de suas atividades. Vai ser um desastre!!

Como disse, precisamos mudar este cenário. Já estou fazendo muitas das dicas acima. A redação foi uma delas. Mais do que um resultado negativo – enquanto avaliação de unidade – o mais importante foi os alunos cairem em si do quanto eles NÃO sabem escrever.

Missão cumprida! Só resta aos alunos agora estudar para a próxima prova ;) .





Mudança (de hábitos)

30 08 2011

Desde o início do ano estou tentando imprimir um rítmo de treinos para (aos poucos) mudar meu estilo de vida. Não deu certo!

O problema nisso tudo foi que “AOS POUCOS” não estava funcionando como tinha planejado. Aos poucos estava correndo, nadando, fazendo alguma coisa, mas a seriedade e o comprometimento ainda estavam aquém do esperado.

Como revolver então? Procurar ajuda ! Essa foi a saída. Pedir um help para pessoas capazes de catapultar meus anseios em me tornar um atleta amador.

Qual foi a ação? Achar um coach ! Um profissional que comprovadamente pudesse me ajudar a superar meus limites e conseguir (meus pequenos) resultados.

Resultado: treinos diários descansando um dia na semana. Acumulando entre 10 e 12 horas de treino semanal.

Lição Aprendida: mais do que determinar seu objetivo, estabeleça e planeje como ele será alcançado e posteriormente medido. Faço isso hoje com as planilha semanais de treinamento para a parte do planejamento; e para a medição dos resultados, estou fazendo algumas provas (corrida 10k, aquathlon, triathlon) e batendo meus tempos e recordes pessoais.

Mudança é isso: Querer, Traçar, Fazer (muita força) e Medir. O resto vem à reboque: bons hábitos; mais disposição; mais fôlego para brincar com os filhos. Um outro aspecto é conseguir apreciar a vida de uma maneira diferente. Estou aproveitando muito mais as oportunidades de viver outras experiência (saudáveis e transcendentes).

Mude now! Basta tentar !

 





Experiência com boa Vivência

20 04 2011

A muito noto nas pessoas a capacidade de acumular experiências por anos a fio sem, necessariamente, ter desenvolvido verdadeiras habilidades. O que é pior: aquelas pessoas que o cercam acreditam piamente que ela é, sim, capaz de encarar outros desafios. Comumente predizemos que aquela pessoa será competente em qualquer outro desafio profissional. Será?!

Por hora não vamos falar das causas e sim dos efeitos. Quem nunca escutou: fulano era tão ‘desenrolado’ no projeto anterior, não estou entendo sua baixa produtividade e sua capacidade reduzida em resolver (outros diferentes) problemas.

Pois bem…a questão crucial é “o que vc fez com as oportunidades ou desafios que foram apresentadas a vc?”. Melhor ainda: “o que vc não fez, pq vc não enxergou, ou mesmo, não quis ver as inúmeras chances de resolver problemas”.

Normalmente para esse tipo de pessoa (ou tipo de atitude) sua zona de conforto não consegue ser afetada. Resolve-se o que dá pra resolver e pronto! Inclusive, algum sucesso é obtido. Mas onde fica qualidade da experiência? Foi possível ser aproveitada? Outras habilidades foram necessárias? Alguma “velha” habilidade foi aprimorada?

Precisamos ter em mente que anos de experiência não caracterizará competência. Alie a estes anos de estrada a capacidade de vivenciar cada oportunidade de maneira única. Não se limite a aprender. Apreenda o conhecimento para que ele seja usado ao longo de sua vida profissional em diferentes circunstâncias. Sua capacidade em resolver problemas deve ser diretamente proporcional a quantidade de situações que vc vivenciou durante sua carreira. Ela tem que ser considerada uma caixa de ferramentas para encarar novos desafios e não uma parede cheia de títulos agrupados por ano.

Portanto, meus amigos, comecem agora a (tentar) ver o que pode turbinar sua carreira com qualidade. Seja constante no desenvolvimento de suas habilidades. Mais do que linhas no currículo por onde vc passou, ressalte sua capacidade de encarar e resolver novos problemas. Para tanto, não se acomode!! Corra na frete, não corra atrás!!!





Era uma vez o RADIX

9 10 2010

Quem lembra do RADIX? Alguém?! Talvez os mais antigos [rsrsrs]. Talvez os amigos dos amigos que lá trabalharam. Talvez quem passava pelo final da Avenida Caxangá em Recife e se deparava com aquela placa enorme.

Esta semana conversando com um colega comentei sobre o Radix de maneira espontânea (e confesso que saudosista!). De imediato fui tentar acessar o site (www.radix.com.br) e nada! Nem mesmo redirecionou para a página do iG (atual dono do engenho, até onde eu me lembrava). “Mas peraí? Será que não estou esquecendo de algo? Pra onde foi o Radix? O que mesmo era o Radix?”

Bem, lembro que trabalhávamos ainda no ITEPE sob diferentes bandeiras e empresas (Mobile, Wiser e Art Voodoo) e existia um projeto no CIn chamado BRight (BRazilian Internet Guide in Hypertext) que evoluiu para o mecanismo de busca depois chamado de RADIX.

Estou falando de 1999. No cenário internacional tínhamos o Yahoo dominando a busca na internet e o Google surgindo um ano antes. Lembro que no Brasil tínhamos o Cadê.

Pra simplificar bastante…a coisa toda evoluiu, o CVC/Opportunity entrou como sócio investidor e, em um dado momento, as 4 empresas passsaram a funcionar sob a bandeira RADIX que depois virou Mobile….uma confusão (justificável) danada!

Um fato curioso (e até engraçado) é que (de certa maneira) competíamos com o jovem Google. Acreditem! Lembro que era comum no ano de 2000 os sites de buscas sairem do ar. E isso acontecia com uma certa frequência inclusive com o Google. Lembro que fazíamos um espécie de ‘levante‘ quando o Google caía. Mas (como promissor engenho de busca) voltava logo! [rsrsrsrs]

Sem receio em dizer, o Radix foi um divisor de águas para o estado de PE e para o Nordeste. Tínhamos capacidades reais de fazer acontencer um empreendimento nordestino. Errando, acertando e, sobretudo, aprendendo, conseguimos colocar Recife no mapa de startup’s no mercado brasileiro.

O que restou? Muita experiência e vivência em tecnologias de ponta. Muitos novos amigos. Lembranças da época (celebrações, festas juninas, ginástica laboral, …). Quem viveu, viu!

O que foi o Radix então? Simples! Foi um site/engenho de busca Made in Pernambuco.

Parafraseando Chicó, “Só sei que foi assim!”





Startup: vai encarar?!

26 09 2010

Em Outubro de 2009 comprei o livro Startup de Jessica Livingston porque achei muito interessante a maneira como a autora documentou o processo de criação (muitas vezes não formal e não ortodoxo) de empresas como Apple, Yahoo! e Hotmail, somente para citar algumas delas. No meio da leitura de cada capítulo (no formato de entrevistas), pude extrair frases e relatos de experiências interessantes que fui destacando uma a uma para revisitá-las e refletir sobre a dura realidade de se criar e manter uma Startup. Segue abaixo alguma dessas frases.

“Não tema que suas idéias geniais sejam roubadas. Se elas forem realmente boas, será tão difícil as pessoas aceitarem que você terá de enfiá-las pelas goelas delas.” [Howard Aiken na Introdução do livro]

“É nele (nicho de negócio das startups) que está a essência da produtividade. Na sua forma mais simples, a produtividade parece tão estranha que a impressão, para muitos, é que nada tem a ver com negócios. Mas se o início das startups foi assim, o mundo empresarial poderia ser mais produtivo se funcionasse da mesma forma.” [Jessica Livingston na introdução do livro]

Vc está pensando em criar alguma Startup? Então essa é uma leitura importantíssima!

Aproveite!





100 Peter Drucker

12 04 2010

Em 19 de novembro de 2010, se fosse vivo Peter Drucker completaria 100 anos. Muitas das literaturas que tenho lido nos últimos anos foram (e são) influenciadas pelas idéias visionárias de Drucker em relação a administração moderna e, sobretudo, em relação a gestão das organizações.

Drucker com sua capacidade de captar e avaliar tendências, deixou um legado muito além de métodos ortodoxos de gestão. Da visão compartilhada, passando pela aprendizagem em grupo, até a organização que aprende, tornou-se o “pai da gestão moderna”.

Esta semana no canal de tv a cabo ManagemenTV está passando “Peter Drucker – Uma Jornada Intelectual“.

No site Drucker100 vc pode conferir mais informações sobre seu centenário.

Leia uma das 39 obras escritas por Drucker e vc vai realmente se surpreender com suas idéias aplicáveis e (quase que) proféticas em seu tempo.

Confira!





Quanto você ROI ?!

20 03 2010

Vez por outra sempre estou conversando com algumas pessoas sobre o quanto de nossas vitórias (técnicas ou não) nos projetos em que trabalhamos estão realmente presentes e descritas no nosso currículo. O quanto de bons resultados, bons feedbacks e de reconhecimentos (por boa produtividade, por exemplo) conseguimos documentar nele. Olhando para o meu currículo, minha resposta é: NADA !!! (infelizmente)

Este deveria ser o principal mote de seu currículo: o quanto vc retorna (ou retornou) para sua empresa em quantidade e/ou qualidade nos projetos que vc está (ou passou)? Como vc vai reportar/documentar o ROI (Return Of Investiment) de uma (boa) experiência no seu currículo?

Bem, boa parte dessas respostas saiu numa matéria no Monster que comenta a importância desse tipo de informação no seu resumé e dá umas dicas de como fazer isso.

Forget the software jargon and certification acronyms. To get hired, you need to show prospective employers how you’ll help the bottom line, and that means incorporating a return-on-investment (ROI) perspective into your resume.

Aparentemente a grande questão agora é refazer o currículo asap. Mas vc realmente sabe que informações terão que ser coletadas? Estava pensando sobre isso e essa lista não veio de imediato na minha cabeça.

O que vou fazer então? (aqui vai a minha dica)
Vou trocar algumas idéias, fazer um brainstorm, um levantamento do passado junto com alguns dos meus pares de trabalho/projeto que estão nesta mesma situação. Talvez juntos, tenhamos uma visão mais clara do quanto trouxemos de bons resultados nos (muitos) projetos que já fizemos.





Apple Developer

13 02 2010

Lembro quando comecei a desenvolver aplicações para Palm, na época fabricado pela 3Com (‘Tricom’). Já faz muito tempo, mais de 10 anos. Recordo-me da empolgação, da vibração, dos desafios apresentados e vencidos um a um. Tudo era novidade: o ambiente de (primeiro) trabalho, as ferramentas de desenvolvimento e o dispositivo (monocromático, 16 MHz de clock e 1M de memória RAM). Imaginem o que era trabalhar com um handheld em 1999 na cidade do Recife. Completamente inusitado!

Estou revivendo novamente esses sentimentos. Agora enveredando pelo mundo da Apple e criando alguns códigos para Mac e para iPhone/iPod. Embora os sentimentos e sensações sejam parecidas a realidade desses equipamentos – principalmente os mobile – são completamente mais surpreendentes com 16 G de RAM, 620 MHz de clock e colorido. Sem comparação!

Só me resta agora estudar, dado que já estou com os equipamentos necessários para tamanho desafio: Macbook + iPod Touch de 16G.

Let’s work!





TCC: Terminando Com Conteúdo

23 11 2009

No último dia 16, uma segunda-feira, junto com a Professora Miriam Albuquerque, conduzi uma palestra/conversa para alunos da FG sobre o desenvolvimento de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Foi muito interessante a dobradinha que fizemos tratando da razão/justificativa social de um TCC até a visão de que uma monografia-projeto bem desenvolvida é um belo cartão de visita para o mercado de trabalho.

Pra simplificar bastante toda nossa conversa, gosto sempre de mostrar o diagrama abaixo. Com ele sempre questiono e provoco todos a pensar sobre seu real motivo para fazer (e terminar) seu TCC. Encontrando-o, então é hora de suar (trabalhar). Por fim: mostre seus resultados! Resultados mesmo: se você implementou algo, rode o software! Se vc comparou algo, mostre a análise-comparativa! Agora pelo amor de Deus, mostrar que fez um estudo…tenha santa paciência!

Quem foi, foi!! Quem não foi…perdeu, mesmo!

Mas querendo conversar sobre minhas teorias extremamente práticas e objetivas sobre o que se esperar de uma monografia de um aluno de Ciência da Computação, é só me parar nos corredores da FG ou mesmo entrar em contato comigo.








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